sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mina da Juliana – uma história de resistência. 1ª parte : A história.


Em 1891, o arqueólogo algarvio Estácio da Veiga, escrevia que “…a mina da Juliana mostra porém ter sido primitivamente explorada n’uma ephoca em que o estanho da região alentejana já era aproveitado (…) pois no interior d’ella e em muita profundidade foram encontrados alguns machados e uns escopos de bronze…”. Por isso, afirmava “…a mina da Juliana deve ser portanto considerada como estação da idade do bronze” (Antiguidades Monumentaes do Algarve, vol. IV, págs 210 e 211). Estas afirmações eram acompanhadas por desenhos das peças, efectuados pelo próprio.
Algumas décadas depois, outro arqueólogo, Abel Viana deu-nos a conhecer um vasto conjunto de cistas (sepulturas formadas por quatro lajes em pedra, cobertas por uma outra, maior e mais grossa, por vezes com imagens gravadas) da Idade do Bronze final (cerca do século X a.C, ou seja, há mais ou menos 3000 anos). Segundo ele e Fernando Nunes Ribeiro, seu companheiro nessas deambulações, "essas sepulturas são(...) muitos abundantes no sul do País, mas é precisamente no concelho de Beja (...) muito principalmente na zona ocidental (freguesias de Ervidel, Santa Vitória e Mombeja) que estas sepulturas abundam e que, por outro lado, espólios mais notáveis têm fornecido." (Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956, pág. 157).
Por este motivo, Abel Viana várias vezes se deslocou a locais da freguesia de Santa Vitória, chamado para ver sepulturas, encontradas durante os trabalhos agrícolas, como aconteceu em Janeiro de 1943, no Monte do Ulmo, ou em Dezembro de 1949, no Monte da Corte d’Azinha (ambos entre essa aldeia e a Mina da Juliana). Para além das lajes gravadas (a mais conhecida é a chamada “estela da Pedreirinha”) são de destacar os vasos do tipo “cerâmica de Santa Vitória” que, tal como a estela se encontram no Museu Regional de Beja (coleção Fernando Nunes Ribeiro).
A existência deste grande conjunto de vestígios da Idade do Bronze, não significava, no entanto, para estes dois arqueólogos, a exploração mineira a que Estácio da Veiga se refere: “… nada permite concluir em prol da relacionação destas cistas com as minas de cobre” (ibidem). Esta tese tem vindo, ao longo dos anos, a ser contrariada e, fruto de trabalhos realizados mais recentemente, é possível estabelecer essa relação : “A forte capacidade de atração desta região para a fixação das comunidades da Idade do Bronze dever-se-á à existência de uma combinação de diferentes tipos de recursos básicos proporcionados pelos solos de elevada capacidade agrícola e também pela facilidade de acesso a zonas mineiras [onde se inclui, naturalmente, a Mina da Juliana]” (C.Bottaini, M.Serra e E. Porfírio, Metais da Idade do Bronze do Museu de Beja - http://www.academia.edu/3782859 ).
Em relação à época romana, não há muitos elementos que nos falem da exploração mineira na Mina da Juliana, mas o mais natural é que tal tenha acontecido, dado que esse local se integra na Faixa Piritosa Ibérica e que se conhece a presença desse povo na Mina de São Domingos ou em Aljustrel, tendo-nos, neste último caso, deixado as famosas Tábuas de Bronze de Vipasca.
Num estudo de Maria da Luz Oliveira ( Copper Ores and Settlements in the South of Portugal -http://www.academia.edu/2387747 ), é citado o “Catálogo Descritivo da Secção de Minas da Exposição Industrial Portuguesa de 1888”, onde, entre outras, se refere a Mina da Juliana (designada como Cova Redonda ) como sendo uma das exploradas pelos romanos no distrito de Beja. A mesma autora refere ainda que, quando em 1872 se deu início à exploração mineira, esta tem lugar “onde os romanos deixam traços da sua passagem” (pág. 6).
Sobre o período romano, citemos ainda uma hipótese de Maria da Conceição Lopes. Em nota de rodapé na sua obra “A cidade romana de Beja”, esta investigadora sugere que “… a via [de Pax Iulia a Vipasca] poderia passar um pouco a sul de Ervidel e Santa Vitória, indo pela Mina da Juliana” (pág. 82). Como a própria afirma, sobre esta via “nada sabemos”, referindo também a hipótese de Jorge Alarcão, que faz passar essa estrada por Santa Vitória.
De resto, para além desta referência, esta obra, que é a dissertação de Doutoramento da autora, no final de 2000, não inclui qualquer indicação sobre a exploração mineira na Mina da Juliana, nem a aponta na Carta geral dos sítios arqueológicos que integra o livro (ainda que a menção à passagem da estrada nesse local possa pressupor essa exploração).
É na segunda metade do século XIX que, fruto da Regeneração e do Fontismo, se vai dar um incremento nos transportes e na industrialização do País. Verifica-se, então, aquilo a que se designa por “febre mineira”, com a atribuição de milhares de concessões por todo o território, incluindo, naturalmente, Beja (em 1865 estavam registadas 461 minas neste distrito).
Assim, através duma publicação de 1963, da Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, intitulada “Minas concedidas no continente desde Agosto de 1836 a Dezembro de 1962”, sabemos que, entre 1865 e 1924 foram concedidas 28 licenças para exploração de minas no concelho de Beja, das quais onze na freguesia de Santa Vitória, igual número em Albernoa, quatro nas Neves e duas na Trindade, sendo a grande maioria de manganês. Em Santa Vitória apenas duas eram de cobre, a já citada Cova Redonda (Juliana), concessionada em 1872 e a Juliana nº 1, em 1910. Nesta freguesia a última concessão, da Pedra Furada, deu-se em 1924.
A concessão de licenças para a exploração das minas, não significou, no entanto, um significativo acréscimo do operariado mineiro no concelho de Beja. No Anuário Estatístico de Portugal, de 1885, citado na obra de João Carlos Garcia “A navegação no Baixo Guadiana durante o ciclo do minério” (1996), havia apenas 113 mineiros, dos quais 57 homens, 24 mulheres e (típico da época) 32 menores. Nada que se compare com os 390 mineiros de Barrancos ou os 2855 de Mértola, neste último caso fruto da grande expansão da Mina de São Domingos (pág. 157)
É nesta altura que surge um nome, de que se irá falar na aldeia da Mina da Juliana até ao encerramento da sua última mina. Trata-se de “Alonso Gomes, filho de um emigrado espanhol, que a partir de muitos e complicados negócios no sector mineiro terminará abastado proprietário urbano e latifundiário, armador e empresário, comerciante em vários ramos” (ibidem, pág. 154).
Para além de minas no concelho de Mértola (onde residia), como a da Cruz do Peso (Alcaria), concedida em 1883, possuía ainda muitas outras concessões, em Castro Verde (Ferragudo), Aljustrel (Serra dos Feitais), Beja (Herdade do Vilar) ou mesmo em Gondomar, no norte do País. Com vista ao transporte do minério, iniciou, em 1870, uma ligação, pelo Guadiana, entre Mértola e Vila Real de Santo António que, face ao sucesso que teve, deu origem a uma carreira regular de mercadorias e passageiros entre essas duas localidades. Mais tarde, por solicitação do governo, iniciou “…um serviço de navegação regular, entre Lisboa e portos no Algarve, com escala em Sines…” criando a uma companhia de navegação, proprietária de oito navios, todos eles baptizados de “Gomes”, que viria a terminar em 1905, após o falecimento do seu fundador, um ano antes (http://naviosenavegadores.blogspot.pt/ , 24 Março 2008).
Data do início do século XX a fundação da povoação que iria albergar os mineiros e as suas famílias. A designação Mina da Juliana teve a ver com o facto de estar localizada na herdade com o mesmo nome, que também deu, como vimos, nome a algumas das minas também aí situadas. Vista de cima, o seu núcleo central bem poderia ser um bairro mineiro de Aljustrel ou de São Domingos, tal o rigor geométrico com que as suas casas foram construídas (foto de Mariano Martins, em 2009).
A exploração mineira terminou quase totalmente nas duas primeiras décadas do século XX. Só uma das minas, a do Vilar, situada na outra margem da ribeira dos Louriçais, propriedade da firma Alonso Gomes, Herdeiros, sobreviveu até 1964. Com o seu encerramento, alguns dos mineiros foram ainda trabalhar para uma das poucas minas de manganês que sobrevivia na vizinha freguesia de Albernoa, muitos seguiram para outras partes do País e do estrangeiro.

A resistência dos habitantes da Mina da Juliana será objecto da segunda parte deste trabalho, a publicar na próxima semana.
25 Abril





Machado do bronze da Mina da Juliana
Museu Regional de Beja.
 Foto de Francisco Paixão

Foto de Mariano Martins - 2009
     

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ilídio do Rosário – Raça de Campeão


Nem o próprio Ilídio sonhava, mas a sua (curta e rica) carreira de ciclista, começa aos quinze anos quando, para fugir ao duro trabalho do campo, pedala diariamente, nos dois sentidos, os dezassete quilómetros que separam a sua terra natal, Santa Vitória, de Beja, onde ele aprenderá o ofício de mecânico auto, que acompanhará ao longo da sua vida.
Com o esses treinos diários e a sua natural aptidão física, não admira, por isso, que em 1956, com apenas dezassete anos, tivesse ingressado na equipa da Casa do Povo do Penedo Gordo ( na época, um baluarte do ciclismo popular, tendo sido três anos consecutivos campeã nacional “corporativa”,  nas provas da FNAT).
As suas qualidades deram nas vistas, tendo o Diário do Alentejo escrito que, logo nessa primeira época,
“…como estreante na 1ª categoria constitui já uma revelação…”.
Em 1957, para além de vencer várias provas em que participou, foi campeão nacional por equipas da FNAT, numa prova realizada em Coimbra, em que ficou classificado em terceiro lugar.
No ano seguinte ingressa no Ateneu Comercial de Beja, clube que participava em provas federativas e, em Março, é campeão distrital de iniciados, sendo apurado para o nacional, disputado quinze dias depois, em Lisboa. Aqui, o azar bateu-lhe à porta e, já na parte final da prova, quando seguia no pelotão da frente, uma roda da bicicleta no carril do eléctrico fê-lo cair e perder a oportunidade de lutar pelos lugares cimeiros.
Nesta altura, já o Benfica estava de olho nele, pelo que a sua passagem pelo Ateneu foi muito curta: em Abril de 1958 estava a correr pelo clube da capital, iniciando uma carreira vitoriosa. Como era referido numa entrevista da revista Benfica Ilustrado, de Junho de 1959, nesses dois primeiros anos com a águia ao peito,  ganhara oito títulos nacionais, individuais e por equipas, nas categorias de iniciado, junior e sénior.
Aí se escrevia que “… alentejano por nascimento e benfiquista por convicção, é a mais radiosa promessa do nosso ciclismo…”
No ano de 1960 sobe à categoria de “independente” ( equivalente a profissional ) e, para além de outras vitórias, consegue conquistar, por um dia, a camisola amarela da primeira Volta a Portugal em que participa.
Os dois anos seguintes são os da sua confirmação e consagração : em 1961, com apenas 22 anos, é campeão nacional de fundo, batendo os principais ciclistas da altura, nomeadamente o grande Alves Barbosa, “… chegado há dias de França, depois da sua brilhante actuação no Paris-Nice e que era dado com presumível vencedor indiscutível…” (Diário Ilustrado).
1962 terá sido o ano mais brilhante na carreira de Ilídio do Rosário : para além de ter envergado a camisola amarela da Volta durante três etapas, vence a Volta ao Algarve, participa na Volta à Andaluzia pelo Benfica e na Volta à Espanha pela selecção nacional.
É numa das etapas em que enverga a camisola amarela que Ilídio revela a sua valentia, relatada assim pelo jornal Record, no dia 7 de Agosto : “A entrada na pista de Alpiarça foi feita por um pelotão de 51 unidades. No meio vinha o camisola amarela, quando uma reboada ecoou no estádio: um grupo de corredores caíra. Um deles foi Ilídio do Rosário que se levantou de pronto e com espírito de luta correu com a bicicleta à mão até à meta.”  Mesmo com esse azar, consegue manter-se em primeiro lugar.
Ilídio do Rosário termina a sua carreira em 1963, ao serviço do Sangalhos, para onde se transferira, desgostoso com certas situações ocorridas no seu clube do coração. Nesse ano consegue um quinto lugar na clássica Porto-Lisboa mas, para desgosto do muito público que assistia ao final da etapa Portalegre-Beja (onde tinha para lhe oferecer um ”envelope mistério”), no dia 10 de Agosto, já ele havia desistido, na que terá sido a sua última prova como ciclista.
Em 1964 emigra para França e depois para o Canadá, estando fora do País durante cinco anos. No regresso, estabelece-se no concelho de Sintra, onde reside e trabalha até ao fim da sua vida, como mecânico auto.
O “bichinho” do ciclismo não o havia largado definitivamente e, em 1976, como treinador do Benfica, vê um seu ciclista, Firmino Bernardino vencer a Volta a Portugal. Alguns anos depois, em 1982, é Vice-Presidente do Conselho Técnico da Associação de Ciclismo do Sul.
No dia 11 de Dezembro de 1992, o Diário do Alentejo dá conta da morte de Ilídio do Rosário, ocorrida no dia 29 do mês anterior, no hospital de Cascais. Nesse artigo podia ler-se : “Respeitado e admirado por colegas e adversários e pelos cordões de povo anónimo que o viram correr por essas estradas fora, Ilídio do Rosário (…) teve um impressionante cortejo fúnebre…”
No ano em que passavam dez anos da sua morte, em 1 de Junho de 2002, a Junta de Freguesia de Santa Vitória e a Câmara Municipal de Beja quiseram perpetuar a sua memória, atribuindo o seu nome a uma rua da aldeia onde nascera, precisamente no local onde era, nesse mesmo dia, inaugurado o polo da Biblioteca Municipal.
E foi também para homenagear este grande ciclista que a Associação Ciclocrescente ( de que o Diário do Alentejo já falou, no passado dia 20 de Julho)  resolveu organizar, no próximo dia 30, domingo, o I Passeio de Cicloturismo Ilídio do Rosário. Paralelamente, será inaugurada nesse dia, na Junta de Freguesia, uma exposição documental, que estará aberta ao público até ao dia 7 de Outubro.
Uma oportunidade para os mais velhos recordarem um dos seus ídolos, que os mais novos apenas conhecem de nome. Nos numerosos artigos e fotografias de jornais da época, nas camisolas que envergou como campeão, nas medalhas que ganhou e em diversas outras recordações, todos poderão testemunhar a sua carreira.
Se nos lembrarmos, por exemplo, que o maior ciclista nacional de todos os tempos, Joaquim Agostinho começou a correr aos vinte e cinco anos de idade, poderemos afirmar que, ao abandonar o ciclismo com apenas vinte e quatro e, não obstante todos os seus triunfos, Ilídio do Rosário, com a sua raça de campeão, terá passado ao lado de uma brilhante carreira.

28 Junho






sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Biblioteca

Em 30 de Abril de 1993 foi inaugurada a Biblioteca Municipal de Beja – José Saramago. Graças ao apoio que teve do então Presidente da Câmara, Carreira Marques, um dos autarcas que, a nível regional (e até nacional) mais cedo percebeu a importância da Cultura para os cidadãos, e ao magnífico trabalho do seu primeiro Director (Joaquim Figueira Mestre, prematuramente falecido em Maio de 2009) e de uma equipa de dedicados e competentes profissionais, essa biblioteca tornou-se rapidamente na melhor do País, pelo seu trabalho de divulgação e promoção do livro e da leitura.
Pela Biblioteca de Beja têm passado os melhores e mais conhecidos escritores nacionais, em sessões que esgotam o auditório, e iniciativas como o Dia Mundial do Livro ou as Palavras Andarilhas, tornaram-se referências a nível nacional e até internacional, participando alguns dos melhores especialistas de vários países. Isto, claro, para além de um trabalho de fundo, persistente e continuado, de formação e fidelização de leitores.
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
E, se não foi difícil conquistar a simpatia, a adesão e até a cumplicidade da população da cidade, o passo seguinte foi o alargamento para as freguesias rurais. Assim, em Albernoa, Beringel, Salvada e Santa Vitória foram abertos pólos que, à excepção de Beringel, mantêm uma actividade contínua, prolongando e completando o trabalho da biblioteca-mãe. 

O pólo de Santa Vitória foi inaugurado em 1 de Junho de 2002, no edifício que já servira de Junta de Freguesia, de Escola e até de sede à associação de columbófilos. 
Foto de 1949. Quando, mais tarde, funcionou como escola, na casa ao lado vivia a professora. Essa casa tinha um enorme quintal onde, uns anos depois foram construídas as casas que formaram a Rua Nova
Tem um fundo próprio de livros e também empréstimo domiciliário (num curioso intercâmbio com Albernoa e Salvada, em que os livros “rodam” pelos três pólos durante períodos certos). Para além disso, dispõe de outros dois serviços bastante procurados por todas as faixas etárias, dos mais jovens aos mais velhos, a leitura de revistas e jornais e os computadores ligados à Internet. A exemplo do que acontece na Biblioteca de Beja, ao longo do ano são também realizadas actividades, como sessões de contos.

Biblioteca (foto do Manuel Rosa)
 Mais recentemente, em 2009, foi criada uma nova valência da Biblioteca de Beja, a Biblioteca Andarilha ( http://bibliotecaandarilha.blogspot.com/ ) que, como o nome indica, se destina a percorrer as localidades do concelho de Beja que não têm pólos. 
Biblioteca Andarilha
Uma das localidades onde se desloca periodicamente é a Mina da Juliana, povoação da nossa freguesia
A Andarilha chega à Mina

Para concluir, uma última palavra para aquela que foi, durante muitos anos, a nossa biblioteca ( não falo, porque já não conheci, da biblioteca da Sociedade, cujos livros se encontravam há uns anos na biblioteca do então Liceu de Beja). Trata-se da  antiga Biblioteca Itinerante nº 18, da Fundação Calouste Gulbenkian, que tinha sede em Cuba e que mensalmente vinha a Santa Vitória ( estacionando junto à antiga fábrica de moagem ) trazer os livros que levávamos para casa. Juntamente com o cinema ambulante na Casa do Povo e os "bonecos na praça" ( o circo ambulante ) era um dos momentos de festa para a nossa aldeia e um dos raros momentos de divulgação cultural, avidamente consumidos por todos, novos e velhos. Figura inolvidável desses tempos foi o senhor Alberto Veríssimo que, com as suas brincadeiras, nos habituou a gostar dos livros.
Não é na nossa aldeia, mas lembra-nos esses momentos mágicos



domingo, 18 de setembro de 2011

A estrada da Mina

Algumas fotografias da construção da estrada municipal que liga Santa Vitória à Mina da Juliana, datadas igualmente de 1949.
O projecto : uma recta, que ligava as duas localidades
Este troço da estrada ainda existe : ao fundo, podemos observar a Casa do Povo
A construção da ponte que foi depois submersa pela barragem, tal como o Monte da Corte Ripais, que se vê á esquerda
Quando as máquinas não tinham ainda substituído o trabalho manual
"Ponte em construção", como diz a legenda da foto
Para concluir, veja-se a diferença entre a estrada "velha" e a estrada "nova", que a Barragem do Roxo obrigou a construir : o desvio que teve de ser feito, com o consequente surgimento de curvas e o aumento de distância entre as duas localidades.
A tracejado, a estrada "velha", a cheio,a "nova". À direita a a Linha do Alentejo, hoje praticamente desactivada e sem comboios

sábado, 17 de setembro de 2011

As ruas da nossa aldeia.

O ano de 1949 parece ter sido um ano de grande desenvolvimento para a nossa aldeia. Um conjunto de fotografias dessa data, propriedade do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Beja, mostra-nos várias obras que vieram melhorar a vida de todos quantos ali viviam. Ficam aqui algumas fotos, que mostram o calcetamento de várias ruas e praças.
Rua do Algarve
Rua da Boavista
Rua da Igreja
Rua das Eiras
Rua da Sociedade
Rua Ilídio do Rosário (antiga Rua Nova)
Praça Dr. Francisco Mira
Largo da Biblioteca

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"Recordações", de António Dias

Com 12 anos de idade                                                    Era uma tenra idade
Mas muito pouca vontade                                            Mas hoje sinto vaidade
No campo comecei a trabalhar                                  De ter trabalhado no campo
Eu não tinha riqueza                                                      Oliveiras, varejei
Tinha apenas natureza                                                  Azeitonas, apanhei
De aos meus pais ajudar                                              Tudo fiz com encanto

Recordações é o título deste livro de poemas, edição de autor, o nosso conterrâneo António Dias. Amanhã colocarei o poema "O que eu fiz" completo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma equipa dos anos 50

Manter um blogue actualizado exige disciplina. Acontece que, nas últimas semanas, tenho sido bastante indisciplinado, daí que não tenha colocado artigoss com a regularidade que desejaria.
Hoje à tarde a minha mãe deu-me esta foto, que eu já conhecia há muitos anos e pediu que eu lhe imprimisse uma cópia, para ela levar para o Centro de Convívio.
Pelas suas contas, deverá ser de 1952/53. Reconheço, apenas alguns dos jogadores : o Dionísio, o terceiro a contar da esquerda, de pé; o Zé Gil, o segundo da direita, de joelhos; o Castanho ("Cabra"), o primeiro da direita, de joelhos. O segundo a contar da direita, de pé, é o Luís Murteira (primo-irmão da minha mãe), que não conheci. Entre ele  e o Dionísio, parece-me o Francisco Viana. Será?
Se conhecerem mais algum dos jogadores, podem informar-nos.