| Fábrica de cerâmica do Monte do Outeiro |
sábado, 14 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
José Luzia - um grande atleta (2)
O José Luzia era filho do senhor José Luzia (também conhecido por Zé Claudino - natural da nossa aldeia e que vive actualmente na Reboleira) e neto do Alfredo Luzia e da Carmelina, que viviam na Praça, perto do actual Centro de Cultura.
Transcrevo uma notícia do jornal Correio da Manhã, de 7 de Junho de 2004, que fala da morte do José Luzia e da sua carreira desportiva.
"ANDEBOL LUSO PERDE O GRANDE ZÉ LUZIA - Por: Pedro Sequeira Morreu ontem, com apenas 40 anos, no hospital de Santa Maria, em Lisboa, o ex-jogador de andebol José Alfredo Buco Luzia, também conhecido por 'Zé Luzia', vítima de doença prolongada. Para a história fica o nome de um dos melhores jogadores de sempre do andebol português, talvez o mais marcante da geração que antecedeu a que agora é liderada por Carlos Resende. Dentro de campo, Luzia destacava-se pela sua polivalência. Assegurava na perfeição várias posições, desde central, a pivô e lateral-esquerdo. Encerrada a carreira no andebol, aos fim de 21 temporadas, com passagens pelos principais clubes portugueses, José Luzia manteve-se ligado à modalidade e actualmente era treinador adjunto do Sporting. João Gonçalves, ex-companheiro de José Luzia na selecção, recebeu a notícia com grande tristeza: "É um dia muito difícil. Tinha com ele uma excelente relação de amizade. Era uma pessoa de grande qualidade humana. Portugal também perde um dos seus melhores jogadores de sempre".(...) PERFIL José Alfredo Buco Luzia nasceu a 18 de Agosto de 1963, tendo iniciado a sua carreira como andebolista em 1976, na Académica da Amadora. ‘Zé Luzia’, um dos mais brilhantes jogadores portugueses, passou ainda pelo Sporting, FC Porto, ABC, Benfica, Académica de Coimbra, Belenenses e Almada. Na selecção alcançou o prestigioso registo de 168 golos." |
Enquanto jogador, José Luzia conquistou ao serviço do Sporting um campeonato nacional de juvenis (1979/80), uma Taça de Portugal (1982/83) e um campeonato nacional de seniores (1983/84). Ao serviço do ABC de Braga sagrou-se campeão em 1986/87, tendo ainda representado a selecção nacional em diversas ocasiões.
Como técnico-adjunto, José Luzia ingressou na equipa leonina na temporada 2002/03, tendo nessa época conquistado a Taça de Portugal.
| Equipa do FC Porto de 1989/90 : José Luzia é o terceiro de pé, da esquerda para a direita |
José Luzia - um grande atleta
Lembrei-me imediatamente que, na altura em que ele jogava, tinha conhecimento deste facto, mas, para dizer a verdade, se não fosse a Amélia, não me recordaria do Zé Luzia (que não cheguei a conhecer pessoalmente).
Publico, então um artigo do João Gonçalves, um dos maiores jogadores de andebol de todos os tempos, precisamente sobre a morte desse atleta, ocorrida prematuramente (tinha 40 anos de idade).
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Tardes de glória (2)
| Campo de Futebol |
Era aqui que passávamos grande parte do nosso tempo livre, por isso não admira que, desde 1968, com algumas pequenas interrupções, se pratique futebol de competição, quer na FNAT/INATEL, quer na Associação de Futebol de Beja. Da nossa "cantera" sairam (e continuam a sair) os jogadores que fizeram parte das várias equipas que participaram nesses campeonatos : ao longo destes anos, foram dezenas (ou mesmo centenas) de jovens que vestiram o equipamento vermelho e preto, as nossas cores (primeiro, da Casa do Povo, depois, do CCRD).
Atrevo-me mesmo a dizer que poucos foram os rapazes da nossa aldeia que não envergaram um dia essa camisola.
Ontem, tal como hoje, as crianças que jogam e se divertem neste campo, vão alimentando essas equipas (com uma pequena diferença : fruto da expansão do futebol infantil e juvenil em Beja, são já vários os pequenos atletas que iniciam a sua carreira desportiva em clubes da cidade - o que é muito positivo para eles).
De resto, embora sempre tivessem existido jogadores oriundos de outras localidades, a maior parte era (e é) natural da aldeia : por exemplo, no ano em que vencemos o campeonato distrital do INATEL (1974/75) os 24 jogadores inscritos eram todos de Santa Vitória, ainda que alguns residissem fora, por exemplo, em Lisboa.
| Ao fundo, os balneários |
Ao longo destes anos, o campo de futebol foi tendo beneficiações, criando melhores condições para a prática da modalidade : já se pode treinar à noite, principalmente no Inverno, porque tem iluminação; existem balneários, onde se pode tomar um duche no final dos treinos ou dos jogos (um "luxo" impensável para várias gerações de atletas); o recinto de jogo tem vedação e bancos de suplentes; todo o campo está vedado por um muro e tem árvores plantadas, no interior e no exterior desta vedação; por fim, mais recentemente foi embelezada toda a zona exterior, junto à estrada, principalmente com a plantação de relva.
Como costumamos brincar por vezes com os jogadores de agora, com todas estas condições ( e outras, como a existência de equipamentos em quantidade e qualidade) , têm a "obrigação" de jogar bem e ganhar troféus.
| Os craques do futuro |
Como já disse antes, desde 1968 que se pratica futebol de competição na nossa aldeia, a maior parte dos anos no INATEL e com uma passagem de 14 épocas nos campeonatos da AFB (entre 1984/85 e 1998/99). Desta passagem (12 anos na 2ª Divisão Distrital e 2 na 1ª), fica a curiosidade de, logo no primeiro ano da inscrição, a equipa ter subido à primeira divisão, onde encontrou, tal como na outra época nesta divisão (em 1988/89), equipas históricas do nosso distrito, entre as quais o Desportivo de Beja, nessa altura (como agora) na mó de baixo).
De qualquer modo, a época de "glória" foi mesmo a de 1974/75 : a nossa terra era a mais pequena entre as participantes no campeonato desse ano. Entre outras, jogámos com a Vidigueira, Alvito, Ourique, Ervidel. Depois de termos terminado à frente, em igualdade de pontos com o Alvito, um golo memorável, do Jorge Baptista, numa finalíssima memorável, com essa equipa na Vidigueira, deu-nos o título de campeões distritais. Nesse ano, para onde quer que nos deslocávamos, éramos seguidos pelos nossos "torcedores", muitas vezes em autocarros alugados, que vibravam com as vitórias que íamos somando pelos campos do distrito.
Para além da vitória neste campeonato, relembro, numa nota pessoal, o golo mais "saboroso" da minha "carreira" : por ter sido um bom golo, num lance individual, em me que isolei frente ao guarda-redes adversário, depois de ganhar a bola no meio-campo; por ter sido o único golo desse jogo, numa vitória que contribuíu para sermos campeões; e, finalmente, por esse golo ter sido marcado em Ervidel, nossos rivais de sempre (rivalidade saudável e não anti-desportiva).
Para além dos inúmeros jogadores que passaram pelas nossas equipas, seria injusto não referir os muitos voluntários que têm participado como dirigentes, técnicos e colaboradores, bem como entidades locais, de onde se destaca a Junta de Freguesia que, ao longo dos anos, tem criado as condições para que o futebol continue ocupando de forma saudável os tempos livres dos jovens e animando os sábados (ou domingos) à tarde.
Tardes de glória
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Um pouco de História (2) (conclusão)
Para além das ossadas encontradas nas cistas exploradas por Abel Viana na nossa freguesia, outros objectos foram igualmente descobertos. Assim, são referidos, nomeadamente, vários vasos de tipo argárico (cultura com origem em El Argar, importante sítio arqueológico da Idade do Bronze, perto de Almeria - Espanha) :
![]() |
| Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956 |
Foram encontrados, igualmente, alguns objectos em metal, como este machado de bronze descoberto perto da Mina da Juliana :
![]() |
| Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956 |
Abel Viana refere, ainda, a descoberta, nas cistas do Monte do Ulmo, de objectos em ferro, principalmente fragmentos do que seriam uma espada e lanças feitas nesse metal, o que, na sua opinião, justifica como sendo de de uma época de transição entre a Idade do bronze e a Idade do Ferro, hipótese aventada por Leite de Vasconcelos, que Viana apelida de "sábio Mestre".
terça-feira, 3 de maio de 2011
Um pouco de História (2)
Como já aqui referi, a nossa aldeia foi algumas vezes visitada pelo arqueólogo Abel Viana, cujas investigações publicou na revista Arquivo de Beja.
Alguns dos artigos publicados nessa revista referiam-se a cistas da Idade do Bronze (cerca do ano 1200 aC, ou seja, há mais ou menos 3200 anos). Cistas são sepulturas formadas por quatro lajes em pedra, cobertas por uma outra, também em pedra, esta maior e mais grossa e, por vezes, com imagens gravadas. As suas dimensões variavam entre 80/100 cm de comprimento, por 50/80 com de largura e 40/45 de profundidade. Essas dimensões justificam-se porque os corpos eram depositados em posições contraídas, dobrados e, às vezes, de lado, aquilo a que se chama de decubitus lateral.
Segundo Abel Viana, "Essas sepulturas são(...) muitos abundantes no sul do País, mas é precisamente no concelho de Beja, sua parte meridional(...) muito principalmente na zona ocidental (freguesias de Ervidel, Santa Vitória e Mombeja) que estas sepulturas abundam e que, por outro lado, espólios mais notáveis têm fornecido." (Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956)
Por este motivo, Abel Viana várias vezes se deslocou a locais da freguesia, algumas vezes chamado para ver essas sepulturas, encontradas durante os trabalhos agrícolas. Assim, relata-nos ele : "Em 5 de Janeiro de 1943, por convite do Sr. Manuel Guerreiro Colaço de Brito, já falecido, visitei o Monte do Ulmo, em Santa Vitória(...) Fôra o caso que em 1941 havia aparecido um grupo de quatro cistas e assaltara-nos a esperança de chegarmos a tempo de aproveitar qualquer informação de valor." (Arquivo de Beja, vol. IV, 1948). Não foi isso, todavia, que aconteceu, já que apenas lá existiam três lajes de cobertura, sendo todas as outras pedras aproveitadas "na construção de pocilgas."
Mais sorte teve Abel Viana, uns anos mais tarde. Como ele escreveu, "Por convite do Escultor e meu amigo Sr. Álvaro-João de Brée, proprietário da Herdade da Corte d'Azinha, em Santa Vitória, fui ali em Dezembro de 1949 com encargo de evitar a destruição de umas sepulturas antigas, as quais, conforme aviso do rendeiro, tinham aparecido" (Arquivo de Beja, vol. XI, 1954). Dois anos mais tarde, em Outubro de 1951, Abel Viana vai estudar as três cistas, cujas lajes "...que uma lavra mais funda tinha feito arrastar pelos ferros potentes das charruas modernas.". Deste modo, foi possível fotografar essas sepulturas e reproduzi-las no Arquivo de Beja :
Estas sepulturas eram cobertas por uma laje maior, algumas das quais com inscrições. Uma das lajes ( também conhecidas por estelas ) mais importantes é a que Abel Viana diz ter sido "achada no sítio da Pedreirinha, também em Santa Vitória. É uma grande lasca de grauvaque (rocha de origem sedimentar, formada por fragmentos de outras rochas) bem azul, com 0,97m de altura, 0,86m de largura e 0,12m de espessura máxima" (Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956). Nesta laje são bem visíveis duas espadas e um objecto que tem sido visto como um machado ou como um escudo :
Alguns dos artigos publicados nessa revista referiam-se a cistas da Idade do Bronze (cerca do ano 1200 aC, ou seja, há mais ou menos 3200 anos). Cistas são sepulturas formadas por quatro lajes em pedra, cobertas por uma outra, também em pedra, esta maior e mais grossa e, por vezes, com imagens gravadas. As suas dimensões variavam entre 80/100 cm de comprimento, por 50/80 com de largura e 40/45 de profundidade. Essas dimensões justificam-se porque os corpos eram depositados em posições contraídas, dobrados e, às vezes, de lado, aquilo a que se chama de decubitus lateral.
Segundo Abel Viana, "Essas sepulturas são(...) muitos abundantes no sul do País, mas é precisamente no concelho de Beja, sua parte meridional(...) muito principalmente na zona ocidental (freguesias de Ervidel, Santa Vitória e Mombeja) que estas sepulturas abundam e que, por outro lado, espólios mais notáveis têm fornecido." (Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956)
Por este motivo, Abel Viana várias vezes se deslocou a locais da freguesia, algumas vezes chamado para ver essas sepulturas, encontradas durante os trabalhos agrícolas. Assim, relata-nos ele : "Em 5 de Janeiro de 1943, por convite do Sr. Manuel Guerreiro Colaço de Brito, já falecido, visitei o Monte do Ulmo, em Santa Vitória(...) Fôra o caso que em 1941 havia aparecido um grupo de quatro cistas e assaltara-nos a esperança de chegarmos a tempo de aproveitar qualquer informação de valor." (Arquivo de Beja, vol. IV, 1948). Não foi isso, todavia, que aconteceu, já que apenas lá existiam três lajes de cobertura, sendo todas as outras pedras aproveitadas "na construção de pocilgas."
Mais sorte teve Abel Viana, uns anos mais tarde. Como ele escreveu, "Por convite do Escultor e meu amigo Sr. Álvaro-João de Brée, proprietário da Herdade da Corte d'Azinha, em Santa Vitória, fui ali em Dezembro de 1949 com encargo de evitar a destruição de umas sepulturas antigas, as quais, conforme aviso do rendeiro, tinham aparecido" (Arquivo de Beja, vol. XI, 1954). Dois anos mais tarde, em Outubro de 1951, Abel Viana vai estudar as três cistas, cujas lajes "...que uma lavra mais funda tinha feito arrastar pelos ferros potentes das charruas modernas.". Deste modo, foi possível fotografar essas sepulturas e reproduzi-las no Arquivo de Beja :
Estas sepulturas eram cobertas por uma laje maior, algumas das quais com inscrições. Uma das lajes ( também conhecidas por estelas ) mais importantes é a que Abel Viana diz ter sido "achada no sítio da Pedreirinha, também em Santa Vitória. É uma grande lasca de grauvaque (rocha de origem sedimentar, formada por fragmentos de outras rochas) bem azul, com 0,97m de altura, 0,86m de largura e 0,12m de espessura máxima" (Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956). Nesta laje são bem visíveis duas espadas e um objecto que tem sido visto como um machado ou como um escudo :
![]() |
| Estela da Pedreirinha, in "Beja XX Séculos de História de uma Cidade I", de Casteleiro de Goes |
Subscrever:
Mensagens (Atom)





